Há uma série de diferenças entre o pinguço e o bêbado. A começar pelo estado etílico. O bêbado é inquilino da sarjeta: bebe até cair. O pinguço é dono dos seus desejos: saboreia para se divertir ou até para fechar negócios. Sou testemunha de alguns contratos fechados em mesa de bar com o mesmo vigor daqueles assinados nos escritórios.
O bêbado incomoda, arranja confusão e, depois, repete a frase "me desculpe". O pinguço é sempre uma boa companhia. Quase sempre o bom pinguço degusta um bolinho de bacalhau (aliás, o do Caneco Gelado do Mário, em Niterói, é imperdível), não dispensa um sanduíche de carne assada (vale à pena provar dois: o do bar na esquina da Gomes Freire com Relação, no Centro; e o da Casa Vieira Souto, na Praça Cruz Vermelha), discute sobre Hugo Chávez (eu ainda acho que ele vai invadir a Colômbia), comenta sobre o possível terceiro mandato de Lula (pois é, olha outro pinguço aí), observa as mulheres (no meu caso), os homens (no caso delas) e por aí vai. O que não falta é assunto ao bom pinguço. Minha mulher que o diga.
Sou pinguço assumido desde os tempos de universitário na Rua Farani, em Botafogo, onde perdi algumas noites em troca de momentos sexuais e culturais inesquecíveis.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
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